Jornal “A TRIBUNA”, de Santos (SP)
Sexta-feira, 16 de dezembro de 2011 – Caderno Indústria – pág. E-3
Nossa Gente
Gaggini, um "Papai Noel" operário de paletó e gravata

O advogado Carlos Gaggini rejeita a imagem que muitos dirigentes de entidades sociais fazem dele: um Papai Noel de paletó e gravata. Mas a comparação é inevitável. Graças ao esforço desenvolvido por ele, desde 2003, em apoio à Receita Federal, multiplicam-se as doações de contribuintes (pessoas físicas e jurídicas, veja página 4) de empresas e funcionários de indústrias de Cubatão à causa da criança e do adolescente, nos nove municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista. "Esse esforço, na verdade, é exercido por todos os engajados na causa, em especial os representantes da Receita Federal na região, o delegado titular, Renato Cesar Leite, e a delegada adjunta, Amélia Rivera Salgado Gotardi, e pelos dirigentes dos conselhos da criança e do adolescente na região", cita.
Gaggini é um dos muitos funcionários da Usiminas (antiga Cosipa) que se dedica ao trabalho voluntário. Jornalista e advogado, atualmente é gerente jurídico das unidades da Usiminas na região. E já trabalhava nesse setor, em 2002, quando a empresa ainda se chamava Cosipa e foi chamado pelo então presidente da siderúrgica, Omar Silva Júnior (atual vice-presidente da Usiminas). "Ele me disse que a Cosipa, depois de muitos anos, iria dar lucro e parte desse lucro devia ser distribuído à comunidade da região. E me encarregou de buscar instrumentos legais para levar o máximo possível desses recursos à comunidade, na forma de projetos sociais confiáveis".
Gaggini encontrou na legislação que permite o abatimento do imposto de renda a pagar uma forma de ajudar os conselhos de defesa da criança e do adolescente nos municípios onde seus colegas cosipanos residiam ou trabalhavam. Inicialmente tudo começou aí, com a articulação dos conselhos municipais, tendo como facilitador a Receita Federal da Região de Santos, uma vez que o abatimento do imposto de renda a pagar é a principal fonte de recursos dos fundos municipais dessa área.
Eles criaram o Programa Destinação Criança. Há oito anos empenhado na causa, da qual se considera apenas "um entusiasta", ele usa os conhecimentos da formação acadêmica, como jornalista, para ajudar a manter o site da campanha (www.destinacaocrianca.org.br) e passou a escrever artigos publicados em A Tribuna e em jornais e revistas que circulam na região, em busca de convencer a comunidade a fazer doações. Nos primeiros anos em que cumpriu a tarefa que Omar lhe recomendou, Gaggini ouviu de doadores questões que considera naturais. "Como podemos nos certificar de que esses recursos estão sendo realmente bem usados em projetos com crianças e adolescentes?". E foi buscar a resposta em uma experiência que recomenda a outros moradores da região.
Candidatou-se a uma cargo (não remunerado) de integrante do Conselho de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente em Cubatão. Foi eleito. "Conheci o sistema, as pessoas envolvidas e vi que o dinheiro era necessário, e os projetos, sérios". Logo depois, integrou também o conselho de Santos.
"Acho que ainda falta conhecimento dos contribuintes sobre esse instrumento legal. Tenho certeza de que, quando conhecerem, eles vão se sensibilizar mais", comenta o advogado, que na realidade só veste paletó e gravata em atos solenes ou quando vai ao Fórum. Neto de calabreses, ele participa anualmente, em agosto, das festividades da igreja da Rua 13 de Maio, no Bixiga. Carlos Gaggini nasceu na Avenida Paulista, em São Paulo, em 7 de janeiro de 1958. Com 10 anos, veio para Santos. É devoto de Nossa Senhora da Achiropita. Desde criança, tornou-se um "fanático torcedor do Corinthians", confessa. Gaggini é casado com Neide. São pais de Camila, estudante do 5º ano de Engenharia Ambiental em Campinas. É mais conhecido na Usiminas como corintiano do que como profissional.
É advogado (formado pelas Faculdades Metropolitanas Unidas, em 1987) e jornalista profissional diplomado (Faculdade Braz Cubas, turma de 1981). Começou a trabalhar na Cosipa em 22 de setembro de 1976 como auxiliar administrativo no setor Jurídico. Em 25 anos foi galgando postos. Em março de 2009 assumiu a presidência da Femco, acumulando também as funções de diretor administrativo. É diretor jurídico da Associação dos Funcionários da Usina de Cubatão (AFC) e diretor da Associação Brasileira das Entidades de Previdência Complementar Fechadas do Setor Privado (Apep).
Gaggini, com o uniforme da Usiminas: "Sou um entusiasta da causa da criança e do adolescente"
Perfil
Formação: jornalista (Faculdade Braz Cubas,1981) e advogado (FMU,1987)
Cargo: gerente do setor Jurídico da Usiminas em São Paulo e presidente da Femco
Família: Neide, esposa; Camila, filha
Lazer: torcedor do Corinthians